Incêndio em Etrian – Parte 01

Etrian é uma floresta milenar, sobreviveu a incontáveis tentativas de destruição durante os longos anos, incêndios que eram causados em suas fronteiras para liberar terra para cultivo e até mesmo a presença de orcs não conseguiram por abaixo seu magnifico ecossistema. Os moradores mais antigos da região dizem que nem mesmo um grande incêndio destruiria a floresta pois ela cresce mais rápido do que queima. Seu interior é cheio de galhos e cipós, o chão e coberto por raízes aéreas e muito sedimento deixados pelas intemperes do clima e pelos animais que ali habitam.

Sua flora é composta basicamente de arvores delgadas e densas que possuem a copa muito densa, fazendo com que o solo abaixo delas seja um solo sem muita vegetação rasteira, apenas musgos e fungos se desenvolvem em pedras e nas pequenas áreas do solo que ainda restam. A fauna da floresta é algo que poucos conhecem, a maioria dos seres que vivem nas proximidades de Etrian não se aventura em seu interior, e os poucos que entram nunca vão fundo o suficiente para encontrar algum animal. Mas cerca de 700 anos atrás, um jovem com um estranho dom de manipular pequenas plantas e animais, se aventurou na mata para fugir de seu próprio povo que não o compreendia.

O garoto tinha apenas 7 anos de idade quando se refugiou em Etrian, e nem mesmo a família tentou encontra-lo na floresta, diziam que estaria junto de seus iguais, criaturas incompreensíveis para eles e dotadas de ocultismo e misticismo faziam parte da floresta e de lá jamais deveriam sair. No ambiente sem seus iguais a criança cresceu sem realmente aprender a língua comum, mas seus instintos e o dom que o exilou se desenvolveram rapidamente, aos 15 anos ele se comunicava perfeitamente com animais e plantas de todos os tamanhos, aprendera ofícios básicos, como costura e confecção de armas simples para pesca e caça, e também desenvolvera um novo tipo de poder. Numa noite de tempestade, enquanto dormia aconchegado em sua toca um pesadelo que levemente aumenta a agonia no coração foi surgindo, o povo que o expulsou se tornava uma multidão enfurecida com tochas e lentamente se união virando um dragão vermelho de corpo serpenteante que rapidamente se aproximava do garoto, por mais que ele corresse o dragão se aproximava com seus dentes enormes e flamejantes e seu hálito de enxofre fervente cada vez mais próximo as costas do garoto, de repente  o garoto começa a se curvar durante a corrida e seus braços tocam o chão, suas pernas latejam e começam a se dobrar de uma forma estranha, seus dedos das mãos se contorcem e dolorosamente encolhem enquanto seu ossos que formam a mão se esticam como se fossem romper a musculatura que os envolvem, quando o garoto se da por si, esta correndo tão veloz quanto um lobo, suas mão e pés se tornaram patas, e seus membros se  assemelham muito aos canídeos.

A felicidade da liberdade que somente a velocidade lhe trás é como um pássaro que em sua primeira empreitada contra o chão alça voo e sente a liberdade passando por entre as asas, ou como um humano que ao cavalgar um cavalo veloz entra no ritmo do cavalgar e deixa de sentir o cavalo debaixo das pernas, o cavalo correndo se torna tão macio e harmonioso junto do cavaleiro que se tornam um correndo livres, mas o garoto em sua empreitada esqueceu-se da ameaça e foi quando o golpe veio pesado dobre seu dorso, o dragão o alcançara e abocanhou-lhe as costas como um lobo que devora uma ovelha indefesa, a dor lancinante fez com que o garoto acordasse. E sua metamorfose não era um sonho, apesar de bem menos perfeita que em seu sonho, seus braços eram agora patas dianteiras de um canídeo muito longo e desengonçado e suas pernas eram uma mistura sinistra de felino e canídeo que o menino nunca tinha visto.

Sua metamorfose foi algo complexo de se entender, durante os longos 30 anos que vieram o garoto foi aprendendo como controlar e transformar-se por completo, até que um dia de inverno, quando se escondia em sua toca para não adoecer, teve o mesmo sonho, e dessa vez sua transformação foi rápida e simples, indolor, mas se transformara em um animal diferente do lobo cinza de costume, dessa vez virara um felino, muito mais veloz, com orelhas pontudas e bigodes sensíveis, que  dessa vez não foi surpreendido pelo dragão, no bote que lhe pegaria o dorso um simples pulo para a direita lhe livrou da enorme boca e continuou correndo enquanto o dragão se dobrava sobre o próprio corpo no choque com o chão. O menino acordou e lá estava ele transformado no felino de seus sonhos.

Nesse mesmo ano o menino resolveu sair de Etrian para conhecer o mundo, ao sair foi acolhido por uma caravana que contornava a cidade, foi com eles como trabalhador braçal, com eles aprendeu a língua comum e viajou por algum tempo até encontrar a capital, Nessapiori, lá se filiou a uma escola de ocultismo onde estudou por 180 anos, aprendeu sobre a geografia do país, a natureza, o clima e os animais, e aprendeu como usar seus poderes para obter a longevidade.

Durante esses anos de estudo ficou conhecido como Verdi, o Druida, pois se preocupava com a natureza e os animais, enquanto a maioria dos estudiosos preferia o conhecimento elemental. Pouquíssimos magos têm o poder para se tornarem longevos, dentre eles apenas os que seguem trilhas naturais, necromantes ou divinas o conseguem. Sendo assim Verdi viu muitos de seus colegas falecerem, e muitos outros saírem da escola em busca de novos conhecimentos e aventuras. Após ser convidado varias vezes a se tornar um dos professores das artes naturais ele decidiu que era hora de voltar a Etrian e cuidar da floresta, lá teria tempo para desenvolver estudos em contato direto com a natureza e se veria livre novamente.

Depois de sua longa jornada de volta a Etrian, Verdi percebeu que pouca coisa havia mudado na floresta, apesar de ter certeza de ela havia crescido pelo menos alguns quilômetros, ao adentrar na mata recebeu um breve convite das arvores para seguir determinado caminho, no fim deste caminho estava uma clareira, pequena e bem coberta, como se fosse preparada para a volta do druida. Lá Verdi se estabeleceu, fez uma gruta e permaneceu por lá durante todo o resto de sua vida, realizando pesquisas e desenvolvendo sua sabedoria e seus poderes.

Após muitos séculos, Verdi já com a aparência de um homem de meia idade, um problema chega aos ouvidos do druida por um pequeno felino de com acinzentada, dizia o felino, em seus grunhidos e ronronados, que a ala leste da floresta está com vários focos de incêndio, como um rastro deixado por uma criatura flamejante. Curioso, Verdi se transforma no felino de outra hora para acompanhar seu pequeno amigo, a transformação já é rápida, cerca de 15 segundos e o druida já tem a forma perfeita de um grande felino cinzento com manchas branca, olhos verdes e dentes afiados, a dor causada pela mudança de forma do corpo é grande porem rápida, por isso durante a transformação Verdi se controla e apenas rugi alto, como um leão marcando território, ao tomar a forma do animal, um rugido gutural que vem junto de um grande desgaste físico.

Chegando ao local Verdi volta para sua forma normal e veste a túnica que sempre carrega quando transformado, o local ainda esta em chamas, uma trilha completamente carbonizada segue para o centro da floresta e em volta da trilha uma chama baixa mas potente vai consumindo os dejetos no chão e já começa a chamuscar as bases das arvores mais próximas. “Isso pode se tornar um grande incêndio se não acabarmos com esses focos flamejantes” pensa o druida e rapidamente começa a transformação novamente e volta sua cabana. Ao chegar repara que há mais três animais a sua espera uma ave de porte superior ao druida esta pousada próximo a entrada, juntamente com um canídeo de pelos com de bronze e dentes protuberantes que saltam para fora da boca, suas patas são altas e fortes como de um corredor, fazendo-o ter mais de 1,9 m de altura e finalmente uma criatura pequenina e bípede com cabeça num formato semelhante a de uma ave com muita penas azuis voltadas para as costas, seu bico era curvado para baixo e seus olhos afiados como os de uma ave de rapina, suas perninhas curtas e sua postura coloca seus joelho na altura do peito como os símios, em suas costas, também coberta por penas peroladas, haviam duas asas coma envergadura maior que sua altura, e suas mão  se parecem com as patas de aves rapineiras com três dedos, um em contraposição aos outros dois e todos com garras muito afiadas.

Verdi entra em sua toca enquanto os animais vão todos dizendo sobre o mesmo incidente que, aparentemente já se espalhou por boa parte do percurso até o centro de Etrian. Sem dar muita atenção aos animais o druida já separa uma bolsa com alguns condimentos e ervas e inicia uma mistura, enquanto meche e macera os ingredientes vai recitando uma canção antiga, depois de algumas horas fazendo isso ele traz aos quatro animais ali com ele uma porção dessa massa viscosa esverdeada e com odor forte, ele pede para que os animais distribuam pequenas porções entre outros animais e os coloquem nas regiões onde há fogo e esperem até que a chuva se inicie.

A criatura pequenina com cabeça de ave pergunta o que fazer se encontrarem o incendiário e o druida alerta: “Ninguém se aproxima do incendiário, eu irei na direção dele e farei o ritual de chuva enquanto o persigo, serei um foco de chuva também e tentarei frustra-lo quando o encontrar.” Os animais se dispersão e o druida engole uma grande porção da massa esverdeada e se transforma novamente em felino, sua jornada agora é longa, precisa localizar o incendiário e se preparar para o pior. Durante 20 horas ele perseguiu uma trilha por onde o incendiário já havia passado e quando começou a encontrar os animais que haviam ingerido a massa iniciou o ritual para invocar a chuva enquanto corria e rapidamente a chuva se iniciou e os focos de incêndio foram se apagando. O druida corria, levando uma chuva torrencial junto dele a procura do malfeitor, se passara um dia inteiro na trilha de queima, mas ele ainda não avista o culpado.

Próxima Parte  – 02

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