Uma Cidade Perdida – Parte 01

– A cidade já não é como antes, a população triplicou nos últimos 2 anos e não para de crescer cada vez mais, caravanas chegam dia após dia entupindo os bairros e a periferia, não ha empregos e nem mesmo comida para toda essa gente, mas a invasão faz com que todas as aldeias vizinhas venham para a capital. A milicia real não consegue conter os assaltos e o crime organizado, guildas mais organizadas já possuem uma riqueza superior a de qualquer vilarejo próximo das terras do rei. Alguém precisa por um fim nessa rede de crimes antes que percamos a capital para os criminosos. A milicia não tem condições de fazer uma missão como esta, desguarnecer os postos traria um surto generalizado de roubos por todo o comercio, e isso apenas faria com que a guilda mais forte desse lugar a outra, por isso eu vou resolver este problema!

A noite está calada como sempre, pessoas andando pelas ruas, procurando um lugar para dormir, ladrões andando no meio delas como se nada estranho acontecesse, enquanto roubam as poucas moedas dos que trabalharam por elas. Os prédios estão cobertos de fuligem e  excrementos, as paredes, que antes eram coloridas e bem pintadas, hoje mostram sua alvenaria, a cidade depredada é apenas a casca de tudo de mal que ela contem. Organizações criminosas se encontram as claras, em tavernas e banhos públicos, ninguém tem o poder de detê-los, enquanto se divertem as custas do ouro dos outros a milicia tem que se preocupar com seus capangas que dia e noite geram o caos na cidade.

-Meu nome é Irvine, sou um hibrido de homem e macaco, não é a combinação mais comum, mas uma das menos animalescas. Estou farto de ver minha cidade sucumbir ao terror, vou acabar com os chefões das guildas mais ricas esta noite, a disputa pelo poder das guildas fará com que elas se destruam por si só. Eles estarão na taverna está noite, fecharam um negócio com um traficante de escravos e utensílios mágicos, e eu estarei lá para celebrar o acordo com todos eles!

Irvine era pequeno, não mais que um metro e setenta, seu rosto tinha o maxilar protuberante e lembrava um pouco as feições de um gorila, seus braços e pernas tinham a proporção de um humano comum, mas sua musculatura era como de um chimpanzé, não se via nenhum traço de gordura em seu corpo definido, e uma calda que lhe saia do cóccix ia até abaixo dos joelhos, sua pele era morena e seu cabelo era castanho claro, repicado como de um adolescente o resto do corpo tinha uma homogênea camada de pelos castanhos escuro e seus olhos eram negros como a imensidão da noite. Nascido e criado na capital teve a oportunidade de aprender tudo com os melhores do reino, logo aos 12 anos de idade começou seu treinamento com acrobatas da realeza, afinal de contam uma criança com dotes símios pode facilmente entreter pessoas com suas habilidades, e nada melhor que faze-lo diante da realeza e adquirir contatos para quando for mais velho. Aos 18 anos Irvine se tornou um soldado, onde obteve treinamento em batalha, armado e desarmado, lutou pelo rei em muitas batalhas até que aos 28 anos seu pai foi morto por desacatar uma ordem dada por um capitão da milicia, desde então Irvine cuida de sua mãe doente, seu trabalho é de mercenário, e já fazem 20 anos que o faz com incomparável destreza.

Numa taverna no centro da cidade começa a reunião entre o comerciante e os lideres das guidas de ladrões, a taverna é uma construção antiga com dois andares inferiores, onde o segundo é uma adega muito conhecida na cidade, no terraço ha dois toneis de cevada que ficam curtindo em carvalho para os nobres que visitam sua taverna. A estrutura é simples com paredes de alvenaria e janelas circulares, cortinas verdes cobrem a vista do interior para a privacidade de seus clientes, na entrada dois guardas, um alto e com tom de pele escura, próximo do preto, uma mistura de homem e touro perfeita, sua pele é rija como o couro e seus ossos e músculos tão fortes quanto seu do animal hibridizado, o outro um pouco mais baixo e atlético um humano como de costume com uma roupa em couro queimado e uma espada na cintura, seus olhos parecem atentos como de um caçador que espreita sua presa.

Irvine se aproxima pela rua, sua veste negra como a noite cai sobre suas longas facas, seu caminhar é calmo porem atento, os vigias do estabelecimento já estão alertas esperando pela sua passagem, suas mão se mantêm nos bolsos de seu sobretudo. Ao aproximar-se da porta da taverna ele para de frente com os seguranças e, imóvel, fica encarando os capangas. Seu rosto aparenta seriedade e os capangas não sabem bem o que fazer, apesar de ser um hibrido o rosto de Irvine aparenta sua idade, e os capangas já não lhe dão a credibilidade que merece.

– O que o senhor deseja? Este estabelecimento não esta aberto hoje, negócios importantes para o dono e quem sabe para a cidade também. – o homem com a espada ao terminar a frase olha para seu companheiro e solta um risada breve e interesseira.

– Sou um negociante também, vendo escravas que vem de todos os cantos deste país, tenho fornecido para nobres antes mesmo de vocês nascerem e nenhum nunca reclamou de minha mercadoria. – Irvine, aproveitando-se da guarda baixa dos capangas e do tratamento respeitoso, investiu em uma estratégia menos agressiva para encontrar-se com o chefões do crime. – Sei que esta negociação e de grande beneficio para mercadores com eu e gostaria de fazer parte dela, creio que minhas meninas podem ser atrativas para seus senhores e sem duvida alguma posso contar com os senhores para pedirem permissão ao senhores que escoltam para ao menos ouvirem minha proposta estou certo?

Os capangas estranham a proposta, trocam olhares e depois ambos consentem com a cabeça, o hibrido fica a porta aguardando o retorno do companheiro, enquanto isso Irvine se mantem imóvel na frente do homem touro. Passados alguns minutos o capanga não se contem e pergunta ao forasteiro:

– Conte-me mais sobre as mulheres que você vende, sempre tive interesse em ter uma criada particular, minha casa é humilde, mas tenho condições de sustentar-nos e até mesmo de pagar-lhe um preço justo por uma boa donzela. – sua expressão era simpática, apesar do rosto franzino como um velho rabugento, e seu tom de voz era quase tão convincente quanto de um político.

– Não quero menosprezar suas posses meu caro, mas acredito não ter moedas suficientes para comprar uma donzela de meu estoque, mas é claro que ficarei contente em atende-lo em meu estabelecimento quando o senhor quiser para que possamos tratar isso como um bom negócio deve ser feito. – o receio de causar uma má impressão em suas palavras era claro como a manhã, agredir o guardião agora, verbal ou fisicamente, seria perder uma oportunidade de se aproximar do seu alvo.

– Entendo seu receio em me ofender senhor, mas não se preocupe quanto a isso, entendo sua percepção de que não possuo grandes fortunas, mas acredite quando digo, nosso senhor é generoso e sabe que homens próximos com nós, seus guardiões,  não podem ser subordinados facilmente, tenho mais do que qualquer um nessa cidade pode imaginar, por um trabalho simples, proteger a vida do homem mais poderoso da capital. – retrucou o forte homem, com uma voz mais firme e arrogante.

– Convenhamos que não deve-se encontrar homens com tamanha bravura, atacar seu senhor é como atacar o próprio rei nos dias de hoje. – um sorriso amarelo e meio sem graça abriu-se na face, nunca tivera de dissimular tanto em seu trabalho, normalmente era rápido e silencioso, algumas vezes nem mesmo era visto pela vítima.

O homem que havia entrado sai com um sorriso no rosto, balançando a cabeça positivamente, estende a mão para o vendedor de escravas e diz:

– O senhor é um homem de sorte, terá direito de participar da reunião e ainda jantar com os senhores. Venha cá, vou revistar-lhe e então o senhor pode entrar. – o sorriso em seu rosto parecia estranho, um pouco de arrogância e cinismo brilhavam em seus dentes amarelados.

Irvine se aproxima do homem que o revista, ao tocar nas facas que carrega na cintura olha para o senhor e diz:

– Por acaso o senhor sabe usa-las? Ou apenas as carrega para fingir segurança? Isso é tão grande quanto um espada curta! – o rosto de fascínio e a expressão de suspeita causou receio em Irvine, mas após retira-las da cintura do mercador o homem se mostrou mais seguro de si. – Antes de entrar tenho que lhe dizer algumas palavras, eu e o grandão aqui somos seguranças treinados, qualquer ruido fora do normal e nós entramos, e se entrarmos só saímos com a cabeça de alguém nas mãos ou acompanhado de nosso chefe são, estamos entendidos?

Irvine consente com a cabeça e da alguns passos na direção da porta, um aroma de leitão assado e vinho tinto emanam do lugar, as luzes são fracas e o ambiente tem uma iluminação mais avermelhada, uma mesa redonda no centro com uma toalha branca está posta com a refeição e duas garrafas fechadas de vinho, no balcão um homem já o aguarda com uma taça de vinho posta e alguns petiscos de carne seca e pimentas. Ao senta-se no balcão o balconista lhe diz:

– Os senhores terão uma noite agradável, os compradores chegaram logo, sirva-se e fique a vontade.

Próximo Capítulo – Final

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