Uma Cidade Perdida – Final

Partes – 01

Sentado junto ao balcão e tomando o vinho Irvine aguardava a presença dos negociadores, mas percebera que o comerciante de escravos também não estava presente ainda, sua informação poderia estar equivoca quanto a hora do encontro, mas os capangas estavam guardando o local, a refeição já estava posta, logo a reunião havia de começar, perguntas e duvidas começaram a preencher sua mente, seu coração começa a palpitar, um sentimento de perigo ronda pela taverna, seu corpo começa a se arrepiar, nunca tivera tanta duvida em seus movimentos, então em meio ao turbilhão de emoções e duvida Irvine decide tomar uma atitude.

Durante cerca de uma hora ele esperou ao balcão, então se levanta e vai andar pelo salão, precisa ser rápido e fugir com destreza, pode ser hábil, mas daria conta dos capangas que estão na porta? Seu corpo já não novo e um hibrido nunca é um combatente fraco. Enquanto caminha pela sala avista uma escada, esta leva ao segundo andar, no qual ele sabe ter uma varanda, esta decidido, sairei por aqui e da sacada passo para os telhados e de lá não tem como me pegarem, pensou ele. O balconista se aproxima e pergunta:

– Esta procurando por algo senhor? – a presença de alguém que não fazia parte do acordo é complicada, a duvida sobre o caráter nunca é removida por completo e Irvine não se comportava como alguém com experiencia nesse tipo de situação.

– Apenas apreciando este belo estabelecimento, sempre ouço falar daqui quando venho a cidade, mas tenho pouco tempo para me dar ao luxo visitando os bons lugares que está cidade tem. – sua voz tremera no início da frase e uma pigarra havia equalizado o tom de surpresa por algo mais convincente.

– Obrigado pelo elogio senhor, passarei os cumprimentos ao proprietário. – não muito certo do que acabara de escutar o balconista apenas aceita o elogio e se mantem vigilante.

Durante a conversa um homem entra na sala, um senhor já de idade avançada, ele cumprimenta o balconista e se aproxima de Irvine, o senhor tem cabelos grisalhos bem aparados e um bigode ralo e bem feito, seu nariz e comprido e seus olhos profundo e cansados, veste um tipo de terno feito em linho e cetim.

– Presumo que o senhor seja o vendedor de donzelas, estou correto? – sua voz era rouca e carrega um ela um tom de sabedoria e superioridade.

– O senhor esta correto, estou… – antes mesmo de terminar a frase o senhor o interrompe.

– Não fale mais do que lhe é perguntado, isso pode te trazer problemas. Me diga como ficou sabendo da negociação desta noite? – ainda imponente e arrogante o senhor agora tomava as rédeas da conversa.

– Tenho contato com o mercado negro, e la fiquei sabendo que os grandes chefes do crime estariam fechando um acordo com um negociante de escravos e utensílios mágicos esta noite.

– Me diga seu nome senhor para que possamos prosseguir com as negociações, e onde fica seu estabelecimento com as damas? Gostaria de conhece-las pessoalmente. – a face de confiança estampada em seu rosto era clara e não deixava duvidas sobre o poder que normalmente possui sobre as pessoas.

– Houvi dizer que seriam dois potenciais compradores esta noite, mas é claro que se o senhor desejar podemos ir até minha estalagem onde estão as garotas, lhe garanto alta qualidade nas moças.

– Vou chama-lo e começaremos a jantar e também as negociações. – o homem se virou e voltou aos fundos da taverna.

Passados alguns minutos os seguranças, que estavam na porta da taverna, entraram e rapidamente se aproximaram de Irvine.

– Ok velhote, venha conosco, acabou a palhaçada, sabemos que você não tem nenhuma donzela para vender e muito menos o direito de negociar com nosso chefe! – o homem falava enquanto caminhava na direção de Irvine, seu rosto era sério e sua mão já estava sobre o cabo da espada em sua cintura.

O hibrido se aproximava com certa cautela pelo outro lado, Irvine se vendo encurralado e sem mais chance de cumprir sua missão sem grandes problemas decide que é hora de agir, ele retira o sobretudo e o arremessa na direção do homem que o abordara, desarmado e em menor numero, sua melhor chance é lutando com um capanga de cada vez. Enquanto o homem se esquiva da veste Irvine se arremessa na direção do hibrido que, exitante, não sabe bem com reagir e apenas se prepara para um encontrão, Irvine se joga no chão deslizando até encontrar as pernas do adversário, a rasteira certeira não o derruba, mas ao perder o equilíbrio com o choque sua coluna se dobra para frente, como reflexo do choque, e Irvine o agarra com as mãos, apoia os pés em seu peito e o alavanca para traz de cabeça no chão, o colocando na frete do homem que avançava com a espada empunhada.

Irvine termina o movimento de arremesso com um rolamento e se levanta de frente com a porta por onde o negociante havia saído, ele corre para dentro e avista o mesmo senhor que havia lhe falado a pouco, mas ainda sozinho, ele queria pegar os dois chefes ao mesmo tempo, mas percebe que não terá um chance melhor que esta para pegar ao menos um, ele dispara na direção do velho e exitar pula por cima dele com um mortal e ao cair atras dele já o pega pelo pescoço com uma chave de braço.

– Pare com isso homem, eu lhe pago o triplo do que estão lhe pagando, trabalhe para mim, será um segurança particular, você tem potencial! – a voz era tremula e temerosa, mas ainda possuía a certeza de que seu dinheiro era a resposta para tudo.

– Não estou recebendo para fazer isso, é de meu interesse que morra e por isso estou aqui agora para faze-lo, não preciso de capangas nem de armas, sua vida esta em minhas mãos agora, qualquer movimento e eu quebro seu pescoço! – não queria mais encenação, era agora, tudo começaria a se resolver, a cidade podia não voltar a ser com antes, mas com certeza as coisas iam mudar.

O homem com a espada entra na sala a tempo de ver Irvine arrastando o chefe para fora do estabelecimento por uma janela, o homem saca um besta mas não consegue mirar pois seu chefe esta na frente, Irvine ao passar pela janela quebra o pescoço do chefe e deixa seu corpo jogado no parapeito da janela, enquanto corre pensa nas melhorias que isso poderia trazer, a guilda vai se desmanchar ou vão segregar por não terem um novo líder de comum escolha e talvez até…

Seu pensamento é interrompido por uma dor  forte nas costas, uma flecha havia lhe perfurado profundamente, sua respiração ficou forte e sua visão começa a falhar, suas pernas fortes se mantêm correndo, mas ele não sabe por quanto tempo poderá fugir. Encontra uma casa com a porta entreaberta, ele entra silenciosamente sua respiração começa a piorar a dor e o sangramento são intensos, as pernas fracas pela fadiga e falta de sangue, os sentidos fracos e a visão rodando, sua cabeça começa a ficar pesada, num suspiro antes de perder a consciência ele diz:

– Posso não ser o homem mais horado da cidade, mas tudo que fiz esta noite me orgulha, fiz o que podia para ajudar a cidade, nenhum rei ou capitão jamais saberá, mas onde quer que eu vá irei com a cabeça erguida e com um pouco de dignidade! – seus olhos se fecham lentamente enquanto tudo se torna preto em sua frente, o sangue mancha todo o chão da casa e Irvine apenas sente a imensidão do vazio que o envolve e ludibria seus sentidos.

Conto Vinculado: Uma Cidade Perdida, Olhos de Sangue

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