Incêndio em Etrian – Parte 2

Partes – 01

Após alguma horas correndo na trilha onde as chamas foram iniciadas, o corpo de Verdi estava fadigado, o ar pesado e poluído por causa da queimada piora a situação do druida, os pulmões se enchem, mas seu sangue não oxigena, a super ventilação faz com que os músculos se tornem cada vez mais fracos, o cérebro vai perdendo o controle sobre o corpo, a oxigenação piora cada vez mais, a visão se torna nublada, o senso de direção se vai e o druida cai, seus rosto se choca com uma raiz exposta, o impacto abre sua sobrancelha, a visão piora e Verdi encontra-se desacordado.

A floresta agora está com o incêndio controlado, as chamas agora estão apenas no caminho de Verdi, o incendiário se aproxima do coração de Etrian, o fogo que queima a floresta pode ser controlado, mas o perigo em incendiar o coração, a nascente de toda a vida,  é de não só matar a floresta, mas todo o equilíbrio mágico e natural do local, um santuário onde natural, divino e mistico se encontram.

Verdi acorda, esta deitado sobre as pernas de uma bela mulher, sua pele é clara, seus olhos são esguios e de um verde quase tão profundo quanto o mar, seu cabelo loiro e branco toca o rosto do druida, o cheiro do orvalho e de flores que nunca havia sentido, Verdi não reconhece nem a mulher e nem o local da floresta que esta. Ao seu redor uma grande clareira se estende, maior que uma casa e ainda segura pelas altas arvores que a formam, o céu acima dele é claro como uma manhã de verão e o sol acaba de nascer, pode-se ver algumas aves sobrevoando a clareira e algumas nuvem que passam sobre ele num ritmo calmo.

Verdi se levanta, não compreende onde está, nem o que acontecera, seu ferimento havia fechado, seu pulmão não sentia mais o cheiro de queimado das plantas vitimas do incendiário e também não tinha conhecimento da pessoa que o acolhera e nem mesmo que haviam seres com ela na floresta. A necessidade de se comunicar era grande, mas ao abrir a boca para tentar descobrir qualquer verdade sua voz falhou, esforçou-se cada vez mais, mas de nada adiantava, sua voz se fora e não tinha ideia de onde estava, nesse momento a mulher se levantou, olhou para o druida e sorriu, sua face era comprida e sua altura passava a de Verdi, ela acenou e apertou os braços contra o peito como se abraçasse alguém, então virou-se e caminhou.

Não muito certo do que se passava o druida a segue na esperança de leva-lo a algum lugar conhecido, enquanto caminham na clareira e se aproximam da floresta que a cerca, uma neblina densa começa a se formar, a figura feminina olha para os lados assustada, pega a mão de Verdi e corre em direção a floresta, a neblina se tornando cada vez mais densa faz com que nada seja visto, a unica certeza que o tem é que a mulher segura sua mão e esta preocupada com ele, a mulher para e rapidamente desvia o caminho, algo está lá, ela quer evita-lo e não sabe como, sem saber o que fazer e um pouco assustado Verdi apenas a segue com esperança de que nada de mal aconteça.

Num instante Verdi sente uma presença maligna, como uma besta sedente por sangue que sonda sua presa, uma enorme presença de terror preenche o ar, seu peito fica pesado a agonia cresce dentro do coração, a cabeça se torna uma ferramenta de extrema importância, se prepara a se transformar e atacar qualquer que seja o inimigo, mas numa súbita passada de um vulto negro a sua frente ele explode em energia para se transformar, mas nada acontece a fadiga corporal da transformação está com ele, mas seu corpo não se modificou e não sente mais a mão da mulher em seu punho, talvez a emanação de energia a tenha assustado, ele tateia na neblina para encontra-la mas não a vê nem a sente. A neblina começa a se dissipar, em poucos instantes não ha mais nada, e a mulher não esta no gramado, no chão a marcas de pegadas e um imenso rastro que leva até a floresta, seja la o que estivera aqui levou a mulher contra sua vontade, felizmente deixou um rastro que qualquer um poderia encontrar.

O druida se apressa a segui-lo, sem saber por onde anda e nem porque sua magia não havia funcionado, mas determinado em ajudar quem lhe socorrera em momento de necessidade. Ele avança floresta a dentro seguindo o rastro, a floresta é densa, muito mais fechada do que as áreas que conhece, arbustos altos e cipos estão por toda a parte, o chão é repleto de folhas secas e material orgânico e até agora nenhum animal foi visto, ele avança da melhor forma que consegue, sem se preocupar em deixar rastro ou se esta sendo silencioso, por mais obscura e diferente que seja esta região ele sabe que nenhum animal lhe faria mal, eles o conhecem e se por acaso algum deles tente ataca-lo ele sabe como acalmar um animal.

Durante um dia inteiro ele seguiu a trilha, até que ela chegou em um fim, a trilha entrava em uma fenda no chão, a fenda era profunda e não parecia ter caminho ou escada para descer, ao olhar para baixo tudo que via era a escuridão nas profundezas, um ar gélido soprava e uma sensação de que aquilo não era um bom lugar. Verdi se senta na borda e tenta se conectar com os espíritos da floresta para obter alguma informação sobre o que está acontecendo, pular num desfiladeiro sem ao menos saber se sobrevivera a queda é algo inviável. Ele fecha os olhos e se concentra, sua mente vai se afastando tudo vai ficando claro e de repente ele esta frente a frente consigo mesmo.

Sem entender o que se passa ele se aproxima, a réplica faz o mesmo, como num espelho ficam se imitando durante um bom tempo, sua voz ainda não voltou, e seu corpo começa a sentir o longo tempo sem comida , o desgaste físico e o final da energia que lhe concede os poderes naturais. Sua meditação é interrompida sem conseguir nenhuma resposta, sua mente agora só possui mais perguntas e a unica coisa que tinha certeza que funcionaria seria entrar em contato com os espíritos locais, mas nenhuma entidade apareceu e este estranho fenômeno de apenas se ver, como refletido num espelho nunca lhe ocorrera. Agora perdido em um lugar desconhecido, a beira de um abismo onde a unica forma de vida que ele encontrou esta em perigo, e seu corpo cansado e sem forças para avançar, obter alguma resposta seria acolhedor.

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